O necessário e um pouco mais.

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Tempestade

A tempestade não mata.

Mata o silêncio que vem depois. Mata a espera por quem prometeu abrigo e fechou a porta na primeira trovoada. Mata descobrir que alguns dos que seguravam nossas mãos eram os mesmos que desejavam nos ver afundar.

A tempestade não mata. Ela arranca os telhados, derruba as paredes, leva embora os retratos e espalha pelo chão aquilo que passamos a vida inteira tentando manter de pé.

Mas não mata.

O que mata é a mentira vestida de verdade. É a maldade disfarçada de cuidado. É a covardia de quem provoca o naufrágio e depois aparece na praia perguntando pelos sobreviventes.

E a gente sobrevive.

Às vezes sem rumo, sem guarda-chuva, sem vontade de olhar pela janela. Sobrevive encharcado de decepções, carregando nos bolsos algumas lembranças molhadas e a estranha sensação de ter perdido mais do que possuía.

Até que um dia o sol aparece.

Não para pedir desculpas. Não para devolver o que a chuva levou. Apenas aparece, indiferente às nossas tragédias, como se nada tivesse acontecido.

E talvez essa seja a maior crueldade e a maior beleza da vida: o mundo continua, mesmo quando alguma coisa dentro de nós desaba.

A tempestade não mata.

Mas há quem passe o resto da vida tentando descobrir se aquilo que sobreviveu ainda pode ser chamado de vida.

Queda

OUTRA VEZ. DE NOVO.

Por Fadario Foster

A maldade e a mentira me passaram uma rasteira. Outra vez.

E eu não caí. Fui derrubado.

Outra vez. De novo.

Há uma diferença enorme entre cair e ser derrubado. Quem cai pode ter tropeçado nos próprios pés, calculado mal a distância, bebido demais ou simplesmente perdido o equilíbrio. Mas quem é derrubado conhece o peso da intenção alheia. Sente a violência de uma mão invisível, a covardia de um gesto calculado, a precisão miserável de quem sabe exatamente onde machucar.

E machuca.

Porra, como machuca.

Não pelo tombo. A gente aprende a suportar a dor dos joelhos ralados, das costas no chão, dos dentes cerrados. O que dói é descobrir que a rasteira veio justamente de quem caminhava ao nosso lado. De quem conhecia nossos passos, nossas cicatrizes, nossas dificuldades para continuar de pé.

A mentira é uma filha da puta bem-vestida. Usa perfume caro, fala baixo, sorri bonito e sabe olhar nos olhos. A maldade, por sua vez, é mais ordinária. Não precisa de grandes argumentos. Basta encontrar uma oportunidade, uma fraqueza, uma porta entreaberta.

Quando as duas se encontram, fazem uma bela sociedade.

E quase sempre sobra para quem ainda acredita nas pessoas.

Eu sei. Parece estupidez continuar acreditando depois de tantas decepções. Talvez seja. Talvez a esperança seja apenas uma forma sofisticada de burrice. Mas há alguma coisa dentro de mim que se recusa a aceitar que o mundo pertença exclusivamente aos canalhas.

Não sou santo. Nunca fui. Tenho meus pecados, minhas contradições, minhas pequenas misérias particulares. Já errei com pessoas, já disse coisas que deveria ter engolido, já me calei quando precisava gritar. Mas existe uma distância imensa entre ser imperfeito e ser deliberadamente cruel.

E essa distância não se mede em metros.

Mede-se em caráter.

O pior é que a mentira raramente anda sozinha. Precisa de plateia, de cúmplices, de gente disposta a acreditar na primeira versão porque investigar a verdade dá trabalho. E há sempre aqueles que sabem de tudo, mas preferem não se envolver. Os covardes de mãos limpas. Os diplomatas da desgraça. Os que assistem à injustiça e depois perguntam por que a vítima está tão revoltada.

Como se a indignação fosse um defeito.

Como se a dor precisasse pedir licença.

Outra vez.

De novo.

Estou cansado dessa repetição. Cansado de aprender as mesmas lições com professores diferentes. Cansado de descobrir que algumas pessoas não têm limites, apenas oportunidades. Cansado de ouvir que tudo acontece por algum motivo, como se a crueldade precisasse de uma explicação divina para deixar de ser uma escolha humana.

Às vezes, a vida simplesmente é uma merda.

E pronto.

Não quero transformar cada ferida numa lição de superação. Nem toda dor ensina. Algumas apenas doem. Algumas roubam o sono, o apetite, a vontade de conversar. Outras fazem a gente envelhecer dez anos numa única tarde.

Há dias em que sobreviver não tem absolutamente nada de heroico.

É apenas continuar respirando.

E talvez seja isso que mais incomode aqueles que tentaram me derrubar: eu continuo aqui. Não intacto. Não invencível. Muito menos indiferente.

Continuo aqui, com alguma coisa quebrada por dentro, tentando entender por que ainda me surpreendo com a maldade humana.

Talvez porque eu não queira me acostumar.

Porque o dia em que a mentira deixar de me indignar será o dia em que alguma coisa essencial terá morrido dentro de mim.

E eu já enterrei coisas demais.

Hoje não quero perdoar ninguém. Não quero discursos sobre evolução espiritual, vibrações positivas ou a obrigação moral de compreender quem me feriu. Quero apenas o direito de estar puto. De sentir a pancada. De reconhecer a injustiça sem precisar transformá-la imediatamente numa oportunidade de crescimento.

Amanhã talvez eu pense diferente.

Hoje, não.

Hoje vou recolher o que sobrou de mim, lavar o rosto, preparar um café forte e olhar pela janela enquanto o mundo continua sua rotina indiferente.

Lá fora, alguém estará mentindo. Alguém estará acreditando. Alguém estará traindo uma confiança antiga por uma vantagem pequena.

E alguém, em algum lugar, estará sendo derrubado pela primeira vez.

Eu gostaria de dizer a essa pessoa que tudo passa.

Mas estaria mentindo.

Algumas coisas não passam. Apenas encontram um lugar menos barulhento dentro da gente.

A maldade e a mentira me passaram uma rasteira.

Outra vez.

E eu não caí.

Fui derrubado.

Mas há uma última diferença que esses filhos da puta talvez nunca compreendam:

Derrubar alguém é um ato de força ou covardia. Mantê-lo no chão exige que ele desista de si mesmo.

E eu ainda não desisti.

Não por coragem.

Não por orgulho.

Muito menos para provar alguma coisa a alguém.

É que, apesar de tudo, ainda tenho uma vida para viver.

E seria uma sacanagem dos diabos deixar que a mentira dos outros escrevesse o último parágrafo da minha história.

Fadario Foster

Hiatos

Hiatos de silêncios e portas batendo orquestram a sinfonia do luto naquela noite de meio de semana. Ela partiu e nunca mais voltou denunciava o rádio.  A essência ainda era de vida por mais que o cheiro fosse de morte. Não tem nada doce na partida, é só ruptura mesmo, abrupta, bruta, sem prévia.  Dói demais quando um – e mil – amor se desfaz assim. Despedaço de pés descalços cansados, vagando sem rumo até encontrar um prumo do corpo descansar.

Lá no profundo e frio som de acordes cinzas a dor já nem abala tanto, pois ela acolhe o pranto daqueles que já não querem mais. No rádio, outra pedrada sobre aquele adeus…

… a Deus sobe as nossas preces mais pesadas e apressadas para chegar antes e preparar bom lugar. A gente tenta dissimular, fingir, esconder até que sucumbe a dor de continuar, sem querem, sem poder, sem ter forças, sem encontrar sentido, sentidos ou adjetivos que justifiquem continuar sem querer…

Mas precisamos continuar. Nesse estágio do luto, não é avançar — é permanecer.

É aceitar que o corpo ainda anda enquanto a alma se senta no chão, cansada, tentando entender o impacto. Continuar é respirar mesmo quando o ar pesa, é permitir que o silêncio cumpra seu papel sem exigir respostas imediatas.

Segue-se quando se entende que a ruptura não pede superação apressada, mas integração. A ausência não se fecha; ela se reorganiza dentro de nós. O amor que não tem mais onde pousar vira memória viva, às vezes dor, às vezes abrigo. Não há doçura nisso, apenas verdade.

Continua-se aos poucos:

— quando o pranto deixa de ser urgência e vira companhia;

— quando o rádio ainda dói, mas já não paralisa;

— quando o corpo encontra um prumo mínimo para descansar, mesmo torto.

E, sobretudo, continua-se porque amar não foi erro.

O que se despedaçou não foi o sentido, foi a forma.

A essência permanece — transformada, silenciosa, mais profunda.

Não se trata de “seguir em frente”, mas de seguir com.

Com a falta.

Com o eco.

Com o que ficou.

E isso, embora pesado, já é um modo de continuar.

Colheita

TERRA FÉRTIL

Andei refletindo sobre o significado do nome “Al Janiah”… Já sei que vem do árabe, d’alguma palavra ou expressão que não sei escrever, mas tudo bem, pois posso sentir os seus diferentes significados. É claro que a primeira coisa que me vem em mente é que se trata do meu querido restaurante e espaço cultural Al Janiah, em São Paulo, o qual carrega forte simbolismo político e cultural, que assim consegue de forma muito respeitosa e democrática representar os mais diversos povos, propósitos, causas, públicos e tudo isso aliado a sua luta pela causa palestina – que ouso a dizer que já é universal: clamar por respeito às diferenças e pelo direito a uma vida em paz é legítimo e necessário, em tempos que o mundo, parece-me, prefere normalizar abusos, ataques e absurdos.

Al Janiah é o acolhimento que eu e meus irmãos pretos tivemos após um dos momentos mais difíceis da história recente deste mundo doente, a pandemia, momento que em fomos (a)colhidos e apresentados como frutos da nossa verdade na missão de espalhar a nossa arte como semente por meio da música, a nossa verdade por meio do amor, de somar as nossas forças e com rebeldia, dizer não e se opor a todo e qualquer tipo de preconceito, racismo e violência, e produzir cada vez mais frutos e sementes, pílulas de entusiasmo, fé, paz, alegria, união, respeito, compartilhando os nossos sonhos, os nossos talentos para o bem dos nossos iguais – e dos diferentes. 

Al Janiah é derivado da raiz árabe associada à ideia de colher, produzir, frutificar que tem muita conexão com o que fazemos cada vez que subimos naquele palco gigante e empoderador com a bandeira palestina a fundo. É súbita transgressão e culpa por tamanhos delitos e erros de ser e pensar diferente para o bem do próximo, de acolher a dor de um igual, de abraçar, respeitar e amar as diferenças, sempre. É religião, religação onde estamos juntos e misturados para fazer o que é simples e bom, onde o coletivo é transformação e o individual é soma.

No Al Janiah todos somos ativistas conectados às causas nobres e legítimas, da palestina livre do rio ao mar aos direitos humanos, urbanos, caninos, culturais, boêmios, artísticos, da mulher, dos vulneráveis e, sobretudo, os reais e leias às coisas boas e certas do mundo, sempre do lado certo da história, respeitando as memórias de luta e dor, como uma terra fértil, que já rachou no sol, mas recebe chuvas e sementes, donde brotam melancias para partilhar a mesa, onde tem rodas de conversas e sempre se encontra o entendimento, que geram ações para bem comum entre todos, de onde se colhe cultura, resistência, arte e história. Para todos. Para todas. Para todes.

Al Janiah reserva e preserva um lugar ao sol ou a luz neon para pessoas individualmente e para povos coletivamente, que foram considerados ou são considerados culpados ou excluídos injustamente – como ocorre historicamente com o povo palestino. Ambiguidade quase poética esta: ao mesmo tempo quem colhe é de quem é a acusação. É uma metáfora viva: aquela que colhe frutos, expressa de fertilidade, vida, resistência e continuidade. É um ambiente em que ninguém teme a liberdade. E todos celebram democraticamente a partilha de momentos e futuros melhores. 

Nesse cruzamento de sentidos, nasce o espírito desse espaço: uma terra fértil de cultura, arte e pensamento livre. Um abrigo para vozes silenciadas, um palco para histórias invisíveis, mas incríveis como a minha e de meus irmãos de cor – e semelhante e respeitosamente, de todos as outras de todas as cores também – , pois a nossa luta contra o racismo e a nossa dedicação ao amor é sempre um convite com um brinde à luta e à beleza de existir com dignidade, igualdade e equidade. E isso não pode ter idade na linha histórica do mundo e sim espaço, lugar e essência, como o Al Janiah.

Al Janiah é Palestina. Al Janiah é Bixiga, Bela Vista, Sampa, SP e é o Brasil sem golpe. É América Latina. É mulher, corpos respeitados, copos suados, é arte, é presença. Aqui, cada prato é memória. Cada silêncio é paz. Cada música é manifesto. Cada olhar, cada beijo, cada abraço, cada poesia, são armas. Cada palavra é semente. Cada festa, filosofia – de vida. Cada lágrima das dores e das alegrias dessas lutas nesse mundo regam essa terra fértil onde cada encontro, é uma colheita.

Sergio França
sergiofranca.com
@sergiofrancaz

Multiartista independente, escritor, compositor, fotógrafo, professor, músico, cantor e pianista a frente da A Banda Preta (@abandapreta), projeto iniciado no Al Janiah no pós pandemia, com o projeto Ballares Band (@ballaresband), em celebração a música negra do Brasil do mundo.

Movimento

A vida é movimento.
O movimento que começa antes e termina depois do avanço dos ponteiros de relógios, dividindo o que já foi do que ainda está por vir. Movimento é ir – quando ficar já não basta para mudar o que é preciso. Uns dias de chuva; outros, de sol – e todos de paz. Tem dias de luta – todos – e tem dias de descanso, pra reduzir o movimento e aproveitar o que cada momento traz, como caminhar devagar e perceber paisagens que sempre estiveram lá, onde a nossa pressa nunca alcança. Avança e vai – o movimento é a sorte anunciando o que vem depois da coragem, depois da curva da serra, depois da paisagem, depois da passagem, depois da noite de clamor, depois da prova de amor, depois da cicatriz sem dor, depois de depois… Movimento é rir de tudo e vigiar o mundo com o sol, dia e noite, luz e calor… Gira o mundo, gira tudo, giramundo, ponteiros inteiros fragmentando o tempo o tempo todo ao sabor do vento, lento… Um segundo muda tudo, muda o tempo; um sorriso muda todos, muda o momento… O movimento é ir, sorrir,… Agora.

Girassol

… para todos os dias de sol: girassol. Um girassol da cor do seu espelho, refletindo luzes e cores em sorrisos – e amores de amora, porque amar é agora. Entardecer amarelo cor de manga, amor é miçanga, pitanga colhida no pé… Para todos os dias de chuva: uva. Transbordando em taças, o vinho, o ninho do saber, o tino do sabor, calor. Sol. Girassol. Mol é um pensamento, uma alma calma, uma verdade pura, uma doçura crua, uma vontade de ser pra estar e ficar. Anoitecer e amanhecer lá onde finda e renasce o sol, todos os dias. Agonia na espera; alegria na esfera do abraço, do (re)encontro, do conto nunca escrito para contar sobre amar. Mal de amor é não amar, como girassol sem sol. Quanto pesa o amor em mol? Quanto pesa o sol? Gira, giramundo, gira o mundo, gira tudo, carrossel na cabeça, pião no coração, liquidificador… Gira ao sabor do vento, a mercê do tempo…
Girassol…

Roda

Brincadeira de roda: roda de moda de viola ao pé da fogueira, dia de sexta-feira pra comer besteiras enquanto roda canais como quem folheia jornais com as mesmas notícias frescas. Roda, roda até cair de bunda no chão e rir que nem criança nessa dança das cadeiras que é vida, em que está na moda ser como a alegria de girassóis até encontrar aceitação na luz, mesmo sem (se) perceber. Luz de farol que roda além-mar até alcançar perdidos nas cidades e nas rodas de amigos, copos, carros, umbigos, corpos, ambíguos… Está na roda do jogo da verdade o desafio de responder à qualquer pergunta – ou a capacidade de saber todas as respostas. Roda a garrafa! Roda na mesa a aposta: quanto tempo ainda se tem para blefar? Roda ao som do carrossel da caixa de música, num lapso do silêncio que ecoa e roda o mundo junto com o choro de um bebê… Está no grito da incoerência de quem roda a roleta de emoções premiadas, numa ansiedade de redemoinhos, com o equilíbrio de um pião… Roda um filme ao contrário por arrependimento e rebobina tempos de outrora, senta em roda e reconta histórias – e depois devolve às prateleiras de coleções de memórias e poeiras, esquecidas… Roda a roleta russa de convicções e redundâncias. A mente roda como um furacão; os pensamentos, um tufão; as verdades, um ciclone. Roda o mundo em prosa pela rosa dos ventos em busca de sentido(s), pra onde aponta essa bússola com o coração na ponta da agulha… Roda mudo o ponteiro dos segundos com pouca corda e mais tempo, lento, calmo… Roda o moinho de cata vento que moeu grãos de trigo que a lida fez pão para dar vida e partilha à mesa, na ceia do artesão de tudo, que do nada fez o mundo, deu luz à escuridão, da natureza fez mãe, de onde do barro fez vasos na roda dessa olaria, pra água e vinho, pra flores e amores… Tudo e todo mundo num segundo roda pra reinventar a roda… da vida.

Lapso

Entre enganos e descuidos, verdades infinitas pintam novos horizontes, sem acompanhar as formas das nuvens, nem as nuances do céu, da noite, nem anseios, nem futuros dilatando as pupilas… Sem vela, sem espera. Dias passam como coletivos cheios de gente indo e vindo, sempre voltando de algum lugar, sempre em busca de algo, sempre na espera de alguém, sempre a mercê de olhares estranhos de estranhos… Rumos diversos para universos inversos, onde destinos nem sempre são talhados e por vezes apenas acontecem, no suceder de uns de repentes, que nem sempre rimam com a vida: linda fingida de bandida para fugir; tela rabiscada de carvão a colorir; medo tingido de desejo por arder; fé blindada por batalhas a vencer; sonhos dissipados em planos de paixão; realidade na areia aos ventos da ilusão… Ida ali para voltar daqui a pouco. Logo ali mesmo… Muitos já partiram; uns não vão voltar. Alguns estão indo; outros, vão chegar. Tem quem está chegando e quem ainda vai chegar.

Há mar no deserto...

Há mar

… porque o mundo cabe num abraço. E isso basta. Pensamentos pulsando como as batidas do coração. Uma pausa para o comum aos lábios, uma verdade ao que é sublime aos sábios e uma causa que sempre talhou universos imensos em intensos… Movimento de mar no olhar e calor de vulcão na boca. Uma doce e louca vontade de ter vontade. Um silêncio sereno desses de não fazer nada além de ouvir o corpo respirar… Entre a dúvida e a dádiva um hiato de medo de sonhar em tempos que realizar doi mais que se lançar num deserto a própria sorte. A mente desagua, o corpo esquenta, o coração flui entre espaços e enlaços até a boca secar… Desertos incertos de jornadas cheias de vazios… A dúvida é a dádiva. Há mar no deserto. Amar no deserto.

Jogo

… e tem aqueles dias que tentam furtar a nossa paz… tentam.
Cerveja, futebol, churrasco, fliperama, bilhar, brilhar… Segue o jogo da vida, da lida… É vivendo e aprendendo a jogar mesmo – e a talhar essa arte muito requintada de meter um loco e tocar um lindo f_ _ _-se para tudo e todos que não fazem bem. Não tem nada de poesia nisso. Na-di-ca. É uma atitude simples, direta, reta, sem curvas, sem marcha ré. Seguimos, em sentidos opostos, dispostos a fazer valer o que tem que ser e o que realmente importa – porque a vida é uma só. Só. E isso basta. Não podemos permitir que nada e nem ninguém nos furte o tempo que podemos dedicar a coisas e pessoas que realmente importam e fazem uma diferença positiva em nossa vida. E isso precisa ser recíproco e verdadeiro. Em algum momento, no final do dia ou da vida, a gente vai perceber no calendário, no relógio, nos joelhos ou no espelho, o que realmente vale e valeu a pena… Com sorte – e uma memória boa – poderemos sentir a tranquilidade de ter tentado, o prazer de ter conseguido ou mesmo o arrependimento de ter desistido… Qual será a nossa sorte ou quando será a nossa morte, nunca saberemos… Entretanto, e hoje? E agora? Daqui a pouco não nos pertence, sabemos. Nem sempre a gente perde, nem sempre a gente vence; sempre a gente tenta. Tenta… Erra, acerta, mas tenta… Tenta mesmo quando desistir é uma tentação… Nunca. Não. Ação! Força no corpo, na mente, na alma e paz – muita paz! – no coração. Ah, e um lindo f_ _ _-se! E basta.
(Complete a frase e seja feliz!)
#Paz

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