O necessário e um pouco mais.

Categoria: Reflexões

Sentido

O sentido é sentir. Da vida, do caminho, da canção. Não tem mapa – só um tapa na maquiagem para deixar de bobagem e lembrar que o caminho não é só a dor e o suor de subir, mas é tambem o refresco e o descanso do chegar. O sentido é a vida – e da vida viver e merecer todos os dias cada um dos sorrisos e flores do caminho – e nunca estar só, nem no castigo, nem no estádio, nem no pó. O sentido é o caminho e o caminho está no caminhar, em cada passo, em cada laço (des)feito, na estação que ficou e no trem que seguiu. O sentido é a canção – o hiato escondido entre notas fluindo no rio beijando o mar. O sentido é amar, é ser o que se pode ser e fazer o que (não) pode – e eclode sem jeito no peito desatinado e rouco de gritar por socorro, como quem sobe o morro [da vida] buscando por um caminho cantando uma canção… Pára à sombra de uma árvore.
Sente.
Respira.
Observa.
Descansa.
Pensa num sentido para tudo o que tem sentido.
Canta.
Ama.
Rí.

Dualidades

… uma manhã cinzenta de chuva e fria de sombras faz a gente pensar que nem todos os dias podem ser de sol, assim como nem todas as pessoas [ou coisas] podem ser boas. Essa é uma condição de (des)equilíbrio necessária e da natureza e suas infinitas convenções. A única coisa capaz de transformar nossa história, é ouvir e aprender o que é bom, e logo em seguida, praticar. Faça chuva; faça sol.

Brilho

… luz. Somos conduzidos por luz. Na luz está o nosso norte, a nossa sorte, a nossa vigilância para as trevas, o nosso farol para nós guiar para o bem. As sombras emolduram os caminhos que precisamos seguir ao encontro da luz, marcam um limite entre o bem e o mal. Tem muita gente que emana luz e ninguém vê, porque se acostumou a andar por caminhos onde nem o sol, nem a lua, nem as lâmpadas – elétricas suspensas pelo infinito – alcançam… E tem aqueles que são cheios de luz – de Deus, de paz, de fé e verdade – e esses sim seguem em frente, iluminando caminhos, túneis, ninhos, lares… Somos feitos de luz e precisamos seguir para onde a luz está… Como gota d’água que encontra um rio, como um rio que deságua no mar, como mar que bejia o sol e acalenta a lua, refletindo estrelas e histórias… de luz.

Perecível

…final feliz se tornou um produto, perecível, comum, médio e sem muitas variações de tamanho, cor, sabor…
… felicidade sem fim – sem manual de instruções, simples, direta e certa – é o que todos buscam… É o que todos querem…

Lamento

Inconsequentemente, procurou pela cidade algo que naquele momento só podia estar em seu coração. Gritou e esperou por uma resposta. Era só mais um dia de chuva e vento, chato, lento, de lamento e silêncios meio a buzinas e retinas cheias de luzes de faróis. Uma resposta e só – acabaria o lamento, tormento para a sua vaidade numa cidade sem idade, de poucos amigos, poucas verdades e um gosto de paz. Um lamento, uma resposta; era essa a sua aposta… E só.

Belezas

… as coisas mais bonitas da vida surgem de forma simples e inesperadas, a gente não compra, nem usa. A gente ganha, vive, compartilha, emoldura no tempo, no momento em que percebemos que a vida é isso que vivemos quando não pensamos em felicidade – porque ela se apresenta pra gente cotidianamente como um prato de arroz e feijão, uma cerveja gelada, um lago para caminhar em volta, a volta de uma viagem, uma paisagem, um ingresso para o show da banda preferida, a lida com vitória, as histórias de amores, sucessos, saudades, amizades, verdades… De repente, terminam, como bolha de sabão leve e bela que ganha alturas e até estourar; duram o tempo suficiente e necessário para serem assim, simples e bonitas. Porque a vida foi feita para ser assim.

Andarilhos

Cantava “minha vida é andar por esse país” e no coração ecoava “mas como eu não tenho ninguém eu levo a vida assim tão só. Em comum, aparentemente, todos nós só queremos um amor – ainda que seja mais fácil aprender a tocar sanfona.

Separação

… pareciam corações entrelaçados pulando o muro pra se encontrar…
mas…
… eram só arames farpados…
presos sobre um muro duro e alto…
…entre eu e você.

Obituário

Todos os dias se morre um amor.

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