Sábado, sol, feira – quanta asneira fica no cache depois da sexta-feira: gosto de guarda-chuva na boca, serpentes na mente, flashbacks de gente e sons em tons abstratos em contato com o veneno que escorre para o coração. Envelhecer e ter boas histórias para lembrar e contar é um dom. A baladeira e a rezadeira nunca vão se encontrar para costurar uma colcha de retalhos e fotografias. O feirante grita e mexe com as moças bonitas enquanto o carteiro passa cheio de postais e boletos. O taxista faz fofoca e espera por clientes. Um velho lava o quintal; outro, alimenta os pombos. Quantos tombos até chegar alí só pra esperar pela morte – que sorte. Sábado, um dia qualquer e uma mulher decidi trair, um jovem decidi fugir e um cão reencontra o lar… Dia de feira, ontem foi sexta-feira e daqui a pouco já é carnaval.Tem resto de gente que a noite não tragou, latas no bolso do terno com traças, isqueiros e corpos que não funcionam… Passa mais um ônibus, um carroceiro, um cadeirante e um errante em busca de um táxi que o leve de volta para algum lugar… Sábado, não faz mal se ainda não encontrou alguém pra amar, dividir o tédio e escrever boas histórias… Não faz mal. Não-faz-mal.
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